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6 min de leitura 16 dezembro. 2022

Como a Apple buscou venture capital, fez IPO e virou trilionária

# G2D Investments
Como a Apple buscou venture capital, fez IPO e virou trilionária

Em dezembro de 1980, a Apple fez seu IPO. A maneira como a empresa de tecnologia validou sua hipótese de negócios, buscou investimentos de venture capital e diversificou suas fontes de receita são uma aula de administração de negócios. Uma aula sobre apostar numa ideia inovadora (fazer computadores para uso pessoal, imagine só) e ajustar o foco para se manter relevante.

Aliás, a Apple faz muito, muito mais do que “se manter relevante”.

Foi a primeira empresa a alcançar US$ 1 trilhão em valor de mercado (em agosto de 2018) e a primeira a alcançar US$ 3 trilhões (em janeiro de 2022). Em novembro de 2022, a Apple valia mais do que Amazon, Meta e Alphabet somadas. Repetindo:  s o m a d a s.

Acompanhe esse texto para ver:

  1. Como a Apple se financiou com venture capital antes do IPO
  2. Como foi o IPO da Apple
  3. Como a Apple diversificou suas fontes de receita depois do IPO

(Mas antes, aproveite para ampliar o gráfico que mostra a evolução do valor de mercado da Apple desde o primeiro US$ 1 trilhão. Eu teria como pôster, fácil, fácil).

A evolução do valor de mercado das empresas que atingiram US$ 1 trilhão

Empresas que atingiram valor de mercado de US$ 1 trilhão: Apple, Aramco, Microsoft, Alphabet, Amazon, Tesla, Meta

Fonte: Visual Capitalist 

 

1- Como a Apple se financiou com venture capital antes do IPO

Antes do IPO, a Apple foi financiada por empresas de venture capital – empresas como a G2D.

A Apple foi fundada em 1 de abril de 1976 por Steve Jobs, Steve Wozniak e… Ronald Wayne. (Nunca ouviu falar? Ele vendeu sua participação com menos de um mês de empresa, por US$ 800, e comprou tudo em ouro. E você aí preocupado com o rapaz que comprou duas pizzas por 10 mil bitcoins, em 2010, no que ficou conhecido como o #bitcoinpizzaday).

Na garagem da casa de Jobs, os dois Steves testaram uma ideia de negócios inovadora para a época: um computador de uso pessoal. O Apple I é um MVP: uma caixa de madeira com componentes eletrônicos soldados à mão. Entre julho de 1976 a março de 1977, a empresa fez 200 unidades. Um sucesso. Para ir além da produção artesanal e ganhar escala, eles precisariam de venture capital.

Em janeiro de 1977, a Apple recebeu US$ 91 mil do investidor-anjo Mike Markkula. Ele também conseguiu uma linha de crédito de US$ 250 mil no Bank of America. Ex-gerente de marketing da Intel, Markkula viria a se tornar CEO da empresa. (O New York Times publicou uma boa história sobre ele).

Ainda em 1977, Markkula e o fundo de VC Matrix Partners aportaram US$ 80 mil em uma rodada seed. Em 1978, um rodada seed de US$ 150 mil trouxe dois nomes conhecidos do venture capital: Venrock (um fundo da família Rockefeller) e Sequoia Capital. E isso foi tudo que a Apple captou antes do IPO. Mesmo atualizando para valores de hoje, é relativamente pouco dinheiro.

Lançado em junho de 1977, o Apple II revolucionou a indústria. Foi o primeiro computador com imagens coloridas, preocupado em ser fácil de usar e atraente. Com o Apple III, em maio de 1980, a empresa resolveu entrar no mercado de computadores corporativos. De 1978 para 1980, a receita com as vendas aumentou de US$ 7,8 milhões para US$ 117 milhões.

O sucesso da ideia de Steve Jobs e Steve Wozniak era inegável. Não fazia mais sentido pegar financiamentos bancários com taxas de juros em torno de 20% ao ano. Quatro anos após a fundação, a Apple partiu para o IPO.

2- Como foi o IPO da Apple

Em 12 de dezembro de 1980, a Apple ofereceu na Nasdaq cerca de 8% de seu capital ao grande público: 4,6 milhões de ações, ao preço unitário de US$ 22. Aqui você pode ler documentos apresentados pela Apple para a SEC (Securities and Exchange Commission), autoridade de mercado de capitais dos Estados Unidos, permitir a abertura de capital.

Prospecto de IPO da Apple

Prospecto de IPO da Apple

Nem todo mundo pôde comprar AAPL: o estado do Massachusetts proibiu o investimento para pessoas físicas, por considerar muito arriscado. Uma lei local proibia a compra de ações com preço 20 vezes maior do que a receita – na oferta da Apple, a proporção era de 90 vezes. As autoridades estavam traumatizadas com o IPO da Genentech, cujas ações derreteram de US$ 35 para US$ 0,2 em poucos meses.

O pessimismo com as empresas de tecnologia era infundado. A Genentech balançou, mas existe até hoje. E a Apple…

O plano inicial era vender as ações AAPL a US$ 14, mas o mercado abriu a US$ 22 e fechou a US$ 29, com alta de 30%. Isso dava à Apple um valuation de US$ 1,78 bilhão. Um unicórnio? Que nada, muito mais do que isso. Em valores de hoje, US$ 6,42 bilhões.

O IPO da Apple levantou cerca de US$ 100 milhões –  o maior valor desde a abertura de capital da Ford, em 1956. Tornou milionárias cerca de 300 pessoas, entre investidores de venture capital e funcionários – a maior distribuição de riqueza vista até então.

O IPO foi um ótimo negócio para a Apple e para seus investidores. Quem tivesse comprado US$ 1000 em APPL no primeiro dia teria, atualmente, cerca de US$ 1 milhão. Isso considerando a inflação e os fracionamentos de ações feitos até hoje.

3- Como a Apple se diversificou após o IPO

A Apple fez um IPO histórico e, quatro décadas depois, se tornou a primeira empresa a valer US$ 1 trilhão. Resumindo assim, parece uma trajetória de sucesso em linha reta. Mas não foi. Por duas vezes, os papéis AAPL derreteram 80%.

Cinco anos depois do IPO, Steve Wozniak e Steve Jobs estariam fora da empresa. Não à toa, a história da Apple (e de Jobs) rendeu livros e filmes. Haja drama.

Vamos atentar para a diversificação das fontes de receita da Apple entre o momento do IPO e hoje.

Em 1980, a carta da Apple para potenciais investidores apresenta a empresa assim:

“Apple Computer, Inc. projeta, desenvolve, produz, comercializa e presta serviços de sistemas de computador pessoal baseados em microprocessadores para uso individual na resolução de problemas de computação comuns em negócios, educação, ciência, engenharia e em casa.”

 

O site Visual Capitalist comparou as fontes de receita de bigtechs no IPO e hoje.

A Apple de 1980 dependia 99% das vendas de dois equipamentos: os computadores Apple II e Apple III.

Apple fontes de receita no IPO

Atualmente, a Apple atua em diversas frentes de negócios. Principal linha de produtos da empresa, o iPhone representa 52% da receita. A segunda maior fonte de receita não é um equipamento, mas serviços, como iCloud, App Store e Apple TV.

A diversidade de frentes de negócio ajuda a entender por que a Apple se mantém no topo enquanto outras big techs estão sofrendo com a alta mundial das taxas de juros.

Ao mesmo tempo que diversificou atividades, a Apple conseguiu resgatar o principal valor daquela empresa promissora, que fez IPO em dezembro de 1980: o foco incansável na experiência do usuário.

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