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13 min de leitura 09 dezembro. 2021

BDR do Nubank: vale a pena investir?

# G2D Investments
BDR do Nubank: vale a pena investir?

O IPO do Nubank é um dos mais badalados dos últimos tempos. A divulgação do evento despertou o interesse até de quem nunca tinha ouvido falar sobre abertura de capital. Além disso, a campanha do banco para oferecer BDRs para clientes também foi algo inédito no Brasil. Mas será que vale a pena investir no BDR do Nubank? 

A partir de agora, você vai entender o que precisa levar em conta antes de fazer um investimento no Nubank ou aplicações em BDRs no geralTambém vai saber como definir os critérios para decidir se, no seu caso, essa decisão faz sentido. 

Você verá que a mesma lógica que vale para as ações do Nubank também pode ser aplicada a qualquer outra empresa de capital aberto. Vamos começar? Neste post, você vai ver:

 

Como investir no BDR do Nubank? 

A partir de 9 de dezembro de 2021, as ações do Nubank podem ser negociadas por qualquer pessoa ou instituição na New York Stock Exchange, a NYSE, bolsa de valores dos Estados Unidos. O código de negociação (ticker) do Nubank na NYSE é NU. Com a ação precificada inicialmente em US$ 9, a empresa se tornou o banco mais valioso da América Latina, com valor de mercado de US$ 41,5 bilhões (R$ 229,5 bilhões).

No dia 10 de dezembro, a fintech também listará recibos dessas ações no Brasil, os BDRs. O ticker do BDR do Nubank na B3 é NUBR33 e ele começa a ser negociado a partir de R$ 8,36. Dessa forma, basta ter um CPF cadastrado na bolsa de valores brasileira ou uma conta em uma corretora nos Estados Unidos para comprar e vender os papéis.

Um BDR, ou Brazilian Depositary Receipt, significa literalmente o recibo de uma ação. Esse é um mecanismo que permite que uma empresa que abriu capital fora do Brasil negocie suas ações aqui sem precisar fazer um IPO na B3, a bolsa de valores brasileira.

No caso dos papéis do Nubank, eles são negociados na proporção de 1/6. Ou seja: um BDR do banco representa 1/6 de uma ação negociada na NYSE. O BDR do Nubank não paga dividendos por enquanto.

>>> Veja mais: Quais são os melhores investimentos para 2022?

 

Quando o investimento no Nubank vale a pena? 

1 – Quando você entende como o negócio funciona e como a empresa ganha dinheiro 

Não basta ser cliente do banco e conhecer a história da fintech. É preciso entender como a instituição ganha dinheiro para entender se o investimento é um bom negócio. 

Nesse sentido, vale deixar o emocional de lado e buscar informações sobre a estratégia do banco, as possibilidades de expansão e geração de receita e as tendências do mercado. 

Essas informações são detalhadas no prospecto do IPO do Nubank, um documento extenso que explica cada detalhe da estrutura do banco e como ele pretende conduzir seus negócios.  

2 – Quando você tem consciência dos riscos envolvidos 

Depois de fazer essa análise das perspectivas para o negócio, é o momento de refletir sobre o que pode dar errado. Nenhum investimento de renda variável pode oferecer retorno garantido e, ao investir nos BDRs ou nas ações do Nubank você também precisa ter isso em mente.  

3– Quando você acredita no crescimento da empresa no longo prazo 

Depois de analisar as informações, existe um outro ponto que é acreditar nelas. Por isso, busque a opinião de pessoas especialistas em investimentos e em negócios para entender se o investimento faz sentido. Além disso, busque entender se ele é para você. 

4– Quando o investimento está alinhado com os seus objetivos financeiros  

Outra análise para fazer antes de investir no IPO do Nubank ou em qualquer outra aplicação financeira é se isso está alinhado aos seus objetivos. O investimento em qualquer ativo que está na bolsa de valores deve ser pensado para um prazo maior, de pelo menos um ano. E isso é incompatível com metas financeiras mais imediatas. 

Por isso, além de pesquisar sobre a empresa e o negócio, pense também no seu momento de vida atual e no que faz mais sentido para você do ponto de vista de investimento. 

5 – Quando você já precisa declarar Imposto de Renda 

Qualquer pessoa que tenha R$ 1 em patrimônio investido na bolsa de valores já tem a obrigação de declarar Imposto de Renda. No caso do BDR do Nubank não é diferente, mesmo que você tenha ganhado um papel da fintech. 

Por isso, ainda que você não se encaixe nos critérios da Receita Federal para declarar Imposto de Renda, você terá essa obrigação a partir do momento em que tiver pelo menos um BDR do Nubank registrado em seu nome. Os critérios para declarar IR são: 

  • Ganhou acima de R$ 28.559,70 no ano (R$ 2.196,90 por mês, já considerando o 13º salário); 
  • Recebeu salário e auxílio emergencial que totalizem R$ 22.847,76 no ano (R$ 1.757,52 por mês, já considerando o 13º salário); 
  • Recebeu mais de R$ 40 mil em rendimentos isentos, como indenização trabalhista e saque do FGTS; 
  • Teve bens cujo valor somado ultrapassou R$ 300 mil; 
  • Teve lucro com a venda de bens no ano; 
  • Recebeu mais de R$ 142.798,50 de atividade rural; 
  • Usou a isenção de IR da venda de um imóvel para comprar outro em até seis meses; 
  • Fez qualquer operação na bolsa de valores; 
  • Passou a morar no Brasil. 

>>> Veja mais: Como declarar BDR no Imposto de Renda

 

Como vender BDR do Nubank

Se comprou um BDR do Nubank após o IPO, pode vendê-lo a qualquer momento por meio do home broker da sua corretora de valores. Basta acessar a sua conta, digitar o ticker do Nubank (NUBR33), e lançar a quantidade de ações que você deseja liquidar.

No entanto, se você ganhou um BDR do Nubank, não poderá vender o papel pelo período de um ano após a emissão. Isso é o que está descrito nas regras do programa de distribuição dos BDRs, o NuSócios. Quem aceitou o seu pedacinho automaticamente concordou com essa condição. O nome técnico para essa cláusula é lockup, uma forma de reter os clientes.

 

Outras formas de investir em startups e empresas tech

Se o seu interesse pelo investimento no Nubank também tem a ver com marcas disruptivas e empresas de tecnologia, existem outras formas de montar uma carteira de investimentos focada nesses negócios. Algumas opções são:

1  – Investir em fundos

Existem fundos de investimento que têm empresas de tecnologia e ativos relacionados à inovação em sua carteira. Como esse é um universo gigante, há opções em relação à estratégia de investimentos (aqueles que investem só empresas em um determinado estágio, por exemplo), risco do portfólio, aplicação mínima para entrada e assim por diante. Alguns exemplos são:

  • fundos de criptoativos: moedas, tokens e até itens ligados ao metaverso;
  • fundos de ações, BDRs ou ETFs de tecnologia.

2 – Investir em ETFs de tecnologia

Os Estados Unidos são um mercado robusto para quem quer investir em empresas de tecnologia, com ações e ETFs relacionados a esse setor. No Brasil, esse mercado está começando a ganhar impulso nos últimos dois anos, com a virada tecnológica de empresas como Magazine Luiza e os IPOs de companhias como Totvs, Sinqia e Locaweb, por exemplo. Os ETFs de tecnologia listados na B3 são:

  • NASD11: da XP Asset, investe nas 100 maiores empresas de tecnologia da Nasdaq;
  • TEKK11: da Itaú Asset, investe em Big Techs (Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google) e outros grandes nomes de tecnologia;
  • TECB11: replica o índice de Ações Tech Brasil, que tem ações brasileiras e BDRs;
  • USTK11: acompanha o Vanguard Information Technology, que reproduz o desempenho do índice MSCI US — Investable Market Information Technology 25/50 Index.

3 – Investir em BDRs de empresas de tecnologia

Os BDRs são uma forma de acessar ações de empresas estrangeiras por meio da B3, sem ter que abrir uma conta em uma corretora fora do Brasil. Assim, é possível investir em empresas de tecnologia estrangeiras por aqui mesmo.

Não é à toa que Big Techs como Apple, Amazon, Google e Facebook fazem sucesso entre os investidores pessoa física no Brasil. Segundo um ranking da própria B3, divulgado em setembro de 2021, os BDRs de empresas de tecnologia são oito entre os 10 preferidos dos brasileiros.

Top 10 BDRs com mais investidores pessoa física

4 – Investir em BDRs de ETFs de tecnologia

Nos Estados Unidos, existe um mercado pulsante para investimentos em empresas de tecnologia. Tanto que existem ETFs focados somente nesse nicho de mercado.

No Brasil, é possível acessar alguns desses ETFs por meio de BDRs, uma novidade recente por aqui. No entanto, eles são restritos a investidores profissionais ou qualificados (aqueles que tem pelo menos R$ 1 milhão em investimentos). São eles:

  • BIXN39: replica o iShares Global Tech ETF;
  • BIYW39: reproduz o comportamento do iShares US Technology ETF;
  • BXTC39: espelha o iShares Exponential Technologies ETF.

5 – Investimento direto

É participar do crescimento uma empresa revolucionária é comprar ações ou se tornar sócio de forma direta. Assim, as alternativas são:

  • tornar-se um investidor anjo;
  • investir em equity crowdfunding;
  • ganhar stock options de startups;
  • investir em fundos de venture capital.

A possibilidade de investir em startups era restrita até pouco tempo atrás: somente pessoas com mais dinheiro, fundos de investimento e empresas com caixa disponível podiam investir. Mas essa realidade está mudando.

6 – Investir no BDR da G2D (G2DI33)

Você sabia que agora é possível investir em Venture Capital sem precisar de muito dinheiro? A G2D é uma plataforma de investimentos que democratiza o acesso a esse tipo de ativo no Brasil. Estamos na B3 com o código de negociação G2DI33.

Investimos em companhias disruptivas e com crescimento acelerado, em fase de pré-IPO. Quem investe em nosso portfólio tem a oportunidade de se tornar sócio de empresas no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa que não estão na bolsa de valores, incluindo oito unicórnios.

Por que o Nubank decidiu abrir capital? 

A sigla IPO vem do inglês e significa Initial Public Offering: Oferta Pública de Ações. Um IPO marca o momento em que uma empresa começa a ter as suas ações negociadas em qualquer bolsa de valores. 

A partir desse evento, que também é conhecido como abertura de capital, todo negócio passa a viver em uma nova rotina, que envolve: 

  • O acompanhamento do preço das ações em tempo real em sites de notícias e no home broker das corretoras; 
  • A possibilidade de pessoas e instituições comprarem e venderem esses papéis quando desejarem;  
  • A necessidade de esclarecer qualquer questão extraordinária que envolva o negócio da empresa por meio de um documento chamado fato relevante; 
  • A divulgação trimestral do balanço, com momento para esclarecimento de dúvidas de analistas e investidores. 

Considerando a quantidade de obrigações que uma companhia tem após essa operação, o que levou o Nubank a fazer um IPO? Para as empresas, o mercado de capitais é uma forma mais barata de financiamento. 

Trazendo acionistas para o seu negócio, elas têm uma injeção de dinheiro e, diferente do financiamento por meio de empréstimos, não precisam pagar juros para esse público: a própria valorização do papel e o pagamento de dividendos no futuro são os fatores que atraem o interesse. 

Mas e quanto ao lucro do Nubank? 

A receita e o lucro de uma empresa são indicadores essenciais em qualquer cenário para definir se o investimento vale a pena ou não. Explicando rapidamente, receita é quanto dinheiro um negócio consegue gerar a partir de suas atividades. Lucro é o que sobra depois dos pagamentos e dos investimentos que precisam ser feitos. 

No caso do Nubank, apesar da receita milionária, não houve lucro até outubro de 2021, quando a empresa divulgou o primeiro número positivo da sua história: R$ 76 milhões. Esse é um ponto questionado por analistas, assim como o fato de não ser possível comparar os números do Nubank com os do Banco Inter, por exemplo, um de seus chamados pares de mercado. 

O motivo é que os dados estão em formatos distintos. Enquanto o Nubank divulgava um balanço semestral, justamente por não ter a obrigação de cumprir os rituais das empresas listadas na bolsa de valores, o Inter divulga números trimestralmente. Além disso, o banco registra lucro desde 2018, como mostra o site agregador de informações Banco Data. 

Direct listing e a estratégia do Nubank para bombar seu IPO 

Semanas antes da abertura de capital, o Nubank começou uma campanha para oferecer BDRs (ou pedacinhos) de graça para seus clientes. Para ganhar, bastava manifestar o interesse por meio do aplicativo do banco e aguardar o papel aparecer na conta do banco após o IPO. Só essa iniciativa já fez o número de investidores na bolsa brasileira praticamente dobrar. 

Além desse brinde, o Nubank também passou a incentivar as pessoas a comprarem seus BDRs. Esse tipo de iniciativa não é comum no Brasil, mas esteve por trás dos IPOs do Spotify e do Slack. É a chamada direct listing ou listagem direta. Outro nome para essa estratégia é DPO ou Direct Public Offering. No vídeo a seguir, o CEO do Slack, Stewart Butterfield, explica por que escolheu esse caminho.

Direct Public Offering ou direct listing significa oferecer ações diretamente ao público, sem o intermédio de um banco. É uma forma de abrir capital com custo reduzido. 

Quando uma empresa vai fazer um IPO da maneira tradicional, precisa escolher bancos para coordenar todas as etapas do processo até a listagem na bolsa.  No meio do caminho, esses bancos também são responsáveis por apresentar essa empresa a grupos de investidores, permitindo que eles façam uma reserva de ações antes do IPO. Esses grupos geralmente são formados por fundos de investimentos e clientes do segmento Private. 

A apresentação para investidores é chamada de roadshow e o registro do interesse de investidores em adquirir ações é o bookbuilding. Outra expressão relacionada a esse processo é underwriting ou subscrição, que é quando uma empresa seleciona um banco para coordenar sua oferta de ações e registrar o interesse de investidores em comprar os papéis.

Todo esse processo envolve vários custos e abre espaço para questionamentos quanto ao preço justo da ação no IPO. Isso porque, uma vez que o público dos roadshows têm mais dinheiro, tem também mais poder para estabelecer a demanda inicial pelo papel.

Um dos principais estudiosos desse campo é Jay Ritter, conhecido como Mr. IPO. Professor da University of Florida, estuda o assunto desde 1979 e diz que a tendência é que as ofertas diretas sejam cada vez mais comuns.

Mas o Nubank, em sua campanha pré-IPO, passou a oferecer seus BDRs também para clientes pessoa física, o que contraria a estrutura tradicional do processo de abertura de capital e ajuda a gerar mais demanda pelos seus papéis. Se você recebeu um SMS e notificações do aplicativo incentivando a compra dos BDRs após o IPO, faz parte do grupo de pessoas impactadas por essa iniciativa. 

Tecnicamente, essa campanha não pode ser chamada de DPO justamente por incentivar a compra após o IPO. No entanto, ela abre caminho para que, no futuro, outras companhias avancem nesse modelo. 

 Agora que você entende melhor o que considerar antes de investir no BDR do Nubank, que tal conhecer mais sobre o universo dos investimentos em startups e empresas de tecnologia? Assine a nossa newsletter e receba todas as novidades em seu e-mail. 

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