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7 min de leitura 13 janeiro. 2022

Elizabeth Holmes: as lições do caso Theranos

# G2D Investments
Elizabeth Holmes: as lições do caso Theranos

A história de Elizabeth Holmes tem tudo para ser um enredo de filme. A jovem, autoproclamada a Steve Jobs do sexo feminino, levantou bilhões de dólares para criar a Theranos. A healthtech prometia revolucionar diagnósticos com apenas uma gota de sangue, mas a verdade era outra. Em janeiro de 2022, Holmes foi condenada por uma fraude bilionária e pode passar 20 anos na cadeia.

A partir de agora, você vai conhecer mais a fundo a história da startup e de sua fundadora, vai entender as lições que o caso ensina e vai entender a repercussão no Vale do Silício, onde a empresa nasceu. Continue conosco!

Quem é Elizabeth Holmes?

Nascida em Washington, a americana Elizabeth Anne Holmes queria ser reconhecida como a nova Steve Jobs. Desde criança, ela dizia querer criar uma empresa bilionária e ser como o fundador da Apple.

Seu pai, Christian Rasmus Holmes IV, foi executivo da Enron, companhia de energia que se envolveu em uma das maiores fraudes contábeis dos Estados Unidos no início dos anos 2000. O filme Enron: Os Mais Espertos da Sala, conta a história do escândalo.

Aos 19 anos, Elizabeth Holmes estudava engenharia química em Stanford, uma das universidades mais renomadas de seu país. O ano era 2003 quando ela decidiu deixar os estudos para fundar a Theranos, um negócio que tinha a proposta de revolucionar os diagnósticos médicos usando apenas uma gota de sangue.

Um rápido contexto: os exames de sangue feitos em laboratório permitem identificar dezenas de doenças que uma pessoa tem ou pode desenvolver. Para isso, é preciso aplicar métodos distintos de avaliação, como decomposição da amostra e mistura com outros compostos químicos.

Por isso, quanto mais testes são feitos, maior tende a ser a quantidade de sangue necessária. E isso sem contar o desperdício, que pode acontecer dependendo das condições de transporte e armazenagem da amostra, tempo entre a coleta e a análise, e assim por diante.

Por isso, a proposta da Theranos era realmente incomum. Por meio da máquina Edison, um laboratório portátil, algumas gotas de sangue seriam suficientes para detectar centenas de doenças, incluindo HIV e câncer.

Com essa promessa, a Theranos chegou a valer mais de US$ 9 bilhões, atraindo investimentos  e Elizabeth Holmes se tornou uma das bilionárias mais jovens do mundo. Tanto que, em 2015, ela fazia parte da listas das cem pessoas mais influentes da revista Time.

Como a fraude da Theranos foi descoberta

Os primeiros indícios de fraude na Theranos começaram a ser revelados em 2015. O jornalista John Carreyrou publicou uma série de reportagens no Wall Street Journal, que mais tarde se transformaram no livro Bad Blood: Fraude Bilionária no Vale do Silício.

Funcionários da Theranos denunciaram práticas fraudulentas e resultados forjados de testes, expondo os riscos corridos pelos pacientes que confiavam nos diagnósticos da companhia. Alguns deles relataram ameaças da parte de Holmes, com depoimentos que aparecem no documentário da HBO The Inventor: Out for Blood in Silicon Valley.

Há relatos de que os resultados da máquina Edison eram imprecisos e de que os testes eram feitos em máquinas convencionais compradas de outros fornecedores.

Em 2018, já com o patrimônio zerado e o valor de mercado da Theranos reduzido em quase 10 vezes, Elizabeth Holmes foi processada pela Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM dos Estados Unidos). Seu principal parceiro, o executivo Ramesh “Sunny” Balwani, foi acusado de fraude maciça junto com ela e a empresa foi dissolvida. Na época, a multa foi de US$ 500 mil.

Após esse processo, novas acusações surgiram e ambos os executivos foram a julgamento mais uma vez. O veredito de Holmes saiu em janeiro de 2022: ela foi considerada culpada em quatro de 11 acusações de fraude. A sentença ainda está para sair e ela pode pegar até 20 anos de prisão. A decisão final sobre Balwani deve acontecer em fevereiro de 2021.

As lições do caso Theranos

O caso Theranos coloca em xeque a cultura dos empreendedores do Vale do Silício, questionando seus métodos de inovação disruptiva. Frases como fake it until you make it (“falsifique até conseguir”) e move fast and break things (“mova-se rápido e quebre coisas”) foram termos citados com frequência na cobertura do caso Holmes.

Ao mesmo tempo, a história traz alguns ensinamentos importantes para qualquer pessoa que esteja buscando funding para seu negócio ou queira investir em uma ideia inovadora. Elas são:

1 – Encontre as pessoas certas para investir no seu negócio

Elizabeth Holmes escolheu investidores para a Theranos com base em nomes famosos, patrimônio e influência. Alguns desses nomes eram o magnata das comunicações, Rupert Murdoch, o ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger e o bilionário das criptomoedas Tim Draper.

A principal lição sobre esse ponto é se cercar de investidores que já tenham experiência no segmento de atuação do negócio. Mais do que conseguir dinheiro, o importante é obter mentoria e direcionamento correto para um crescimento sustentável.

2 – Busque os conselheiros certos para tomar decisões importantes

Tão importante quanto o cheque é a habilidade do conselho de administração para tomar decisões estratégicas. Esse colegiado é formado pelos líderes da companhia e pelos representantes dos próprios investidores (geralmente fundos de Venture Capital).

Também chamado de board (do inglês, board of directors), esse conselho precisa ter tanto a expertise para guiar o negócio quanto a autonomia para impedir que o CEO tome decisões ruins. Por isso, fazer uma boa seleção é vital para o seu negócio.

3 – Guie-se pelos dados

Uma questão significativa é se a tecnologia da Theranos realmente funcionava ou não. Startups e empresas de capital fechado geralmente não são obrigada a publicar dados, mas precisam dividir informação com seus investidores.

No entanto, o sigilo da Theranos combinado com a falta de estudos científicos revisados ​​por pares foi contundente o suficiente para levantar suspeitas. Além disso, a tecnologia foi implantada apesar de os funcionários da companhia detectarem discrepâncias nos resultados dos testes.

Por isso, certifique-se de que o seu negócio está atendendo aos padrões de qualidade, credibilidade e segurança para o seu setor. Se possível, publique informação e solicite a revisão por pessoas não envolvidas com o seu negócio.

Questione e busque provar a eficácia da tecnologia. Essa parece uma prática contraditória, mas ela ajuda a fortalecer ainda mais as bases do seu empreendimento e agir de forma preventiva para evitar falhas.

4 – Estabeleça uma liderança transparente e confiável e contrate as pessoas certas

A cultura da Theranos tolerava o sigilo, como evidenciado pela falta de dados científicos disponíveis sobre a tecnologia. Também é relatado que cientistas e engenheiros não tinham permissão para conversar entre si. Quando funcionários preocupados falavam sobre suas dúvidas, era sempre para desânimo da liderança sênior que tentava minimizar suas preocupações.

Uma forma de evitar isso é ter uma equipe diversa, com histórico distinto de experiências e visões de mundo diferentes. Além disso, a cultura da empresa precisa incentivar a colaboração e o desafio saudável para elevar o nível das entregas.

Contrate com base em caráter e treine habilidades. Essa é uma frase difundida por líderes de grandes empresas, como Ray Dalio, gestor do Bridgewater Associates, um dos maiores hedge funds do mundo. Visualize como você deseja que a cultura da sua empresa seja em cinco ou dez anos e construa sua equipe com base nessa visão.

Agora que você sabe mais detalhes sobre Elizabeth Holmes e o caso Theranos, que tal entender como escolher as melhores empresas para investir? Confira o nosso artigo sobre como investir em startups.

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